Excelentíssimo
Subprefeito da Grande Tijuca - Município do Rio de Janeiro
Sr. Luiz
Gustavo Martins Trotta
Vimos, por meio deste manifesto, nos posicionar
acerca dos atos expropriatórios decretados pelo Governador do Estado do Rio de
Janeiro, Sergio Cabral Filho, em 10 de novembro de 2011, de números 43.285 à
43.293, abrangendo imóveis na Rua São Rafael, Rua São Miguel, Rua Santa
Carolina e Rua Conde de Bonfim, no bairro da Usina - Tijuca.
O decreto expropriatório se presta a dar
prosseguimento a:
“Termo de Compromisso firmado entre a União e o Governo do Estado do
Rio de Janeiro para a urbanização do Complexo da Tijuca no âmbito da segunda
fase do Programa de Aceleração do Crescimento PAC 2”.
A intervenção tem valor de investimento da
ordem de R$ 130,2 milhões, dos quais R$ 104,4 milhões são provenientes de
recursos de repasse da União e R$ 25,8 milhões são contrapartida do Estado.
O empreendimento tem como metas a execução de
obras de infraestrutura, produção de 632 unidades habitacionais, melhorias em
923 unidades, equipamentos comunitários – 2 escolas profissionalizantes, 1
creche, 1 equipamento de saúde, 1 biblioteca, 1 área de lazer, 1 complexo
esportivo, 3 elevadores/estações/passarelas e beneficiará 9.226 famílias.”
Conforme resposta do Ministério das Cidades a
consulta feita pelo Serviço de Informação ao Cidadão.
Ocorre que o projeto já se encontra com a Empresa
de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP), a verba do PAC já está
disponível nos cofres do estado e os moradores da região foram surpreendidos
com a notícia pela presença de procuradores da EMOP fotografando o local e
chamando proprietários dos imóveis atingidos pelos decretos expropriatórios.
Não houve consulta da população local acerca das
edificações, o projeto não é divulgado à comunidade, nem foi aberto um debate
com os moradores do bairro.
Ao contrário do que se esperava de uma projeção de
crescimento urbano desse porte, não houve divulgação do projeto em nenhum
momento para que os moradores se pronunciassem a respeito das pretensões do
Governo Estadual.
Coube a nós, cidadãos pagantes de pesados IPTUs, vir à V. Exa. relatar
nossos anseios e arrolar nossas expectativas em relação ao posicionamento da
Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.
A legislação pátria felizmente não permite
construções acima da capacidade de suporte ambiental e urbano.
O bairro da Usina sofre com problemas de
infraestrutura, atual e iminente.
A rede de água e de esgoto não suporta o atual
aporte demográfico, como já se verifica facilmente.
A coleta de lixo está em plena adaptação, com
ajustes a serem feitos hodiernamente.
O aumento da densidade demográfica só acarretará em
perdas irreparáveis na frágil estrutura urbana.
O trânsito na região já suporta engarrafamentos
colossais nos horários de pico, pois a Rua Conde de Bonfim e a Rua Edson Passos
integram a rota alternativa do Centro para os bairros da Zona Oeste.
Necessitamos de uma ampla divulgação do projeto
do PAC 2, com debates junto às comissões de moradores e fortalecimento da
gestão compartilhada e da cidadania na nossa capital do estado.
Queremos um Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
prévio ao início da implementação do projeto, que demonstre a fragilidade da
área de proteção e as reais possibilidades de ocupação urbana do local e suas
reais condições.
O encolhimento da mata aumenta o risco de
deslizamento de encostas no Maciço da Tijuca, não é segredo para ninguém.
E o aumento demográfico desmedido implicará em uma
saturação do manancial do Rio Maracanã, pela falta de estrutura de captação de
esgoto na região.
Uma ocupação desordenada, sem análise do impacto
ambiental e urbano a ser suportado somente trará uma degradação da área
protegida em caráter irreversível.
A ideia inicial da (Área de Proteção Ambiental e
Recuperação Urbana) APARU da Tijuca é o mote que deveria ser perseguido. O
fomento a hotelaria de baixo impacto, Oficinas de Sustentabilidade Ecológica e
Empresas de Turismo Ecológico é a proposta para uma área que foi declarada em
1991 como parte da Reserva da Biosfera e, em 2012, Patrimônio Mundial na
categoria Paisagem natural.
“O
Parque Nacional da Tijuca é resultante de um extensivo reflorestamento no
século XIX, considerado o exemplo de regeneração natural de floresta mais bem
sucedido do mundo. Apresenta biodiversidade significativa, com espécies
ameaçadas de extinção, sendo declarado, em 1991, como parte da Reserva da
Biosfera, em reconhecimento à importância de seu acervo natural para o
equilíbrio do ecossistema mundial. Foi o agenciamento no final do século XIX ao
gosto do paisagismo romântico, que o transformou em parque urbano, hoje muito
visitado na cidade.” Fonte Portal do IPHAN na internet.
“O
Rio de Janeiro se tornou, neste Primeiro de Julho de 2012, Patrimônio Mundial.
Ela é a primeira cidade do mundo a receber este título da UNESCO na categoria
Paisagem Natural.
A
decisão foi tomada pelo comitê do patrimônio da organização. O anúncio
aconteceu durante a 36ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Organização
das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em São
Petersburgo, na Rússia, na manhã deste domingo (01/07).
O
dossiê da candidatura foi entregue em setembro de 2009 ao organismo das Nações
Unidas. Em janeiro do ano passado, o Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO
decidiu pela inclusão da candidatura do Rio.
A
relação harmoniosa entre a natureza e a intervenção humana é, segundo o Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a âncora da candidatura
do Rio. A candidatura listou os principais elementos naturais que tornam
original e excepcional a paisagem carioca, como o Pão de Açúcar, Corcovado, a
Floresta da Tijuca, Praia de Copacabana e a Baía de Guanabara.” Fonte
UNESCO - estadão.com
Enfim, esperamos, ansiamos e aguardamos que o
posicionamento a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro seja na salvaguarda da
gestão urbana e ambiental, aquartelando a execução deste projeto e divulgando
amplamente os seus meios e fins.
A Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
deverá, fiscalizando as atividades potencialmente poluidoras ao meio ambiente,
auditar o projeto de edificação do PAC 2 com o fim de evitar a potencialidade
de degradação que se apresenta.
A Prefeitura, da mesma forma, deverá tomar
para si essa responsabilidade sobre a conservação da natureza, proteção do
patrimônio ecológico, bem como sobre todos os danos eventuais causados pela
ação do Governo do Estado.
A pacificação de todas as comunidades
carentes da região trouxe uma nova valorização imobiliária de toda a área, bem
como a retomada da autoestima das comunidades atingidas e toda a população do
entorno.
A revitalização das comunidades e projeção de
rede de esgotamento sanitário eficiente são necessidades prementes e reais.
A ampliação de oferta habitacional para os
moradores de áreas de risco das comunidades carentes, da mesma forma, é uma
necessidade real, mas, por outro lado, não pode ser feita à revelia de
avaliações e análises técnicas de capacidade de absorção demográfica.
As áreas de realocação deverão ser
previamente infraestruturadas e próprias ao que se destinam. Não pode o poder
público, em desrespeito a suas próprias regras de planejamento sustentável de
desenvolvimento urbano, erigir sem critério algum estruturas multifamiliares
sem estudo prévio de impacto urbano.
Por todos os argumentos postos, clamamos por
uma posicionamento firme, dentro da lei, examinados os critérios de
oportunidade e conveniência, contra a implementação de um projeto
habitacional na Usina sem consulta à população, sem divulgação do processo
administrativo, e sem estudos prévios junto à Municipalidade.
Representando os moradores do bairro da
Usina, que vem se reunindo desde 01/07/13, infra-assinados em atas que
juntamos nessa oportunidade, respeitosamente, pedimos o recebimento desse
pleito.
Rio de Janeiro, 22 de Agosto de 2013.
Comissão
Um comentário:
A Subprefeitura tem conversado com a Comissão e estamos no aguardo de novas informações.
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